Aos vinte

         20 anos. Nessa altura do campeonato as pessoas ainda se acham no direito de opinar o que você deve fazer, dizem que seu curso é bom, mas que vai te fazer passar fome. Estranham porque você é nova e se veste “como velha”. Insistem em perguntar: “tão jovem, por que não tá namorando?”. Mas você resolve deixar tudo isso pra lá, se percebe amadurecendo, “adultecendo”, tomando as decisões por si. Você tem a energia de ir para uma balada, mas começa a se sentir mais confortável pegando um cobertor e assistindo um filme na Netflix. Você começa a ponderar se vale à pena sair e deixar pendente aquele trabalho da faculdade. Com o tempo passando e as responsabilidades gradativamente chegando, você também se sente cansada e ainda tem que ouvir o famoso “mas você SÓ estuda”. Aos 20, você conhece muita gente boa, já teve experiências maravilhosas e outras bem ruins. Aos 20, os colegas da escola quase não têm contato com você, alguns amigos de tempos atrás sumiram, seu círculo diminuiu bastante. Você começa a ser mais seletiva na hora de conversar certos assuntos com algumas pessoas. Você decide que não quer namorar com alguém apenas por status; você reserva este espaço da sua vida para caso apareça alguém que queira caminhar com você, trilhar os mesmos objetivos, que seja um cara respeitoso e não um “mala”; que vá à Igreja com você (mas não por você) e não um que ria da sua fé. E você é chamada de louca por resolver esperar as coisas em Deus, porque os tempos são modernos e aparentemente, não conseguem associar as duas coisas. Aos 20, quando você está sem tempo, precisa buscar artifícios para se divertir sozinha. É nessa hora que você percebe que estar sozinha não significa ser só. E você aprende a gostar disso. Você troca a saída com a galera depois da aula pela taça de vinho ou pela xícara de café, um bom livro e uma boa música em casa; mas também aproveita a boa sensação quando sai com os amigos, porque ver gente é revigorante! Você comemora o dia dos namorados sozinha sim, porque escolheu se apaixonar por você mesma e pela vida. Você consegue ficar alegre por ficar o dia todo de pijama em casa da mesma forma que faz aquela maquiagem quando se anima pra sair. E por mais que você tenha medo, você olha pra trás e vê tudo o que já conquistou aos 20. No fim das contas, o que para os outros é loucura e solidão, pra você, aos vinte, é bênção, é doce, é ser gentil com você mesma. É liberdade.

Por Vitória Regina ❤

“Como eu era antes de você”, de Jojo Moyes + expectativas para o filme

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“É isso. Você está marcada no meu coração, Clark. Desde o dia em que chegou, com suas roupas ridículas, suas piadas ruins e sua total incapacidade de disfarçar o que sente.”

Em primeiro lugar eu gostaria de dizer que estou desidratada após essa leitura (obrigada, Jojo Moyes). Em segundo lugar: não, eu não li por modinha ou porque tá todo mundo lendo… Como eu já citei aqui mesmo no blog, comprei esse livro em Janeiro de 2014. Mas sabe? Que bom que tá todo mundo lendo,  porque é uma leitura maravilhosa! ❤

“Como eu era antes de você”, conta a história de Louisa Clark: uma menina de 26 anos com sonhos comuns, ou melhor, sem sonhos, sem ambição, que não faz faculdade, não tem previsão de quando sairá da casa dos pais, trabalha num Café que está pra fechar e mora desde pequena na mesma pacata cidade do interior cuja característica turística é um antigo castelo, do outro lado. Além do gosto pra lá de peculiar das roupas…

Conta também a história de Will Traynor (criatura por quem estou apaixonadíssima inclusive, obrigada): um rapaz de 35 anos que teve sua história literalmente virada de cabeça pra baixo. Lindo, ativo, esportista, inteligente, bem-sucedido nos negócios em Londres, e extremamente apaixonado pela vida, é vítima de um acidente de moto indo pro trabalho e fica tetraplégico.

Desde quando você pega na capa do livro, fica claro que nele existe uma história de amor entre os dois, porém não é nada convencional. O encontro deles se dá quando o Café onde Lou trabalha fecha e ela precisa urgentemente de um novo emprego, o que leva a mocinha à casa dos Traynor, no outro lado do castelo. Família rica, cheia de regalias, oposta da sua. Um universo totalmente novo e estranho que Lou começa a conhecer na nova profissão de cuidador de Will.

No começo, Will é relutante e, sejamos sinceros, bem chato. Talvez na tentativa de afastá-la como fez com as cuidadoras anteriores. Em muitas vezes, Lou tem vontade de desistir e largar o novo emprego, mas se sente na responsabilidade de ficar, já que a maior renda de manutenção da sua família vem dela, agora. Will já possui cuidados de seu fisioterapeuta, Nathan, que acaba ganhando Lou como uma nova aliada na luta para animar Will. Luta inclusive quase que incansável da mãe, Camilla Traynor. O que ninguém esperava é que para Louisa isso seria um desafio pra mostrar do que ela era capaz, do que Will podia fazer além de viver numa cadeira de rodas, e para a família, de que ela poderia ser tão inteligente quanto sua irmã prodígio, Katrina.

Diante do obstinado plano de Will de acabar com seu sofrimento, aos poucos, Louisa vai dando cor à história dele de volta. Os dois começam a conversar, mesmo no meio da monótona rotina de Lou no anexo da casa, onde Will mora. Will, quase sempre provocativo e sarcástico, começa a estimular Louisa no potencial que ela tem pra tantas outras coisas e ela, com suas peculiaridades, acaba cada vez mais instigando a curiosidade dele, cultivando uma intensa amizade. Ele ironizando Patrick, namorado ausente esportista de Lou, ela motivando os passeios, as saídas, mostrando que ainda é possível…

“Como eu era antes de você” foi lançado 2012,  com o título original de “Me Before You” e tem uma capa linda! Aliás, este era um dos livros que estavam na minha meta de serem lidos em 2015, e eu até cheguei a falar que comprei por causa dessa capa maravilhosa! Sem, dúvida, foi o que mais chamou minha atenção na livraria. No Brasil, foi lançado em 2013 pela editora Intrínseca, com uma diagramação muito boa e a tradução também.O livro é narrado em sua maioria por Lou, contando com outros capítulos narrados por Nathan, Camilla, Treena (Katrina), fazendo com que o dinamismo na história seja presente a todo tempo. No primeiro capítulo narrado por outro personagem, confesso que tive um certo receio de quebra de ideias, ou que ficasse meio chato, como foi o caso do livro Amanhecer (Saga Twilight), mas na verdade foi como se provasse o quão dinâmico o livro é.

Eu passei umas duas semanas e meia lendo esse livro, não porque é longo, mas porque ao mesmo tempo que a leitura prende, faz o leitor não querer que acabe. Depois do meu vergonhoso saldo de leituras em 2015, este livro com certeza não poderia ser melhor para me ajudar nessa volta. Jojo Moyes tem uma escrita muito atraente, eu não queria parar de ler… lia nos intervalos da faculdade, passei uma madrugada de insônia lendo uns capítulos e até na sala de espera da médica estava eu rindo sozinha com os sarcasmos de Will Traynor. A sensação que eu tinha toda vez em que parava a leitura, era que eu estava bem perto do ápice da história. E gente, dá pra saber que existe um sofrimento no livro, mas a autora traz isso de uma forma tão “condizente e real” que parece que o leitor entra de verdade na história, pelos olhos de Lou e dos outros, atestando o quanto realmente as coisas são porque são.

Agora em junho de 2016 a Warner vai lançar a adaptação para cinema. Apenas depois de ter terminado o livro no domingo passado (01/05) foi que assisti aos trailers divulgados, e que trailers!!! Engraçado que o ator que interpreta Will tem exatamente os traços que pensei (Sam Claflin <3) e olhe, Louisa (Emilia Clarke) promete não decepcionar. Aparentemente, o pouco que deu pra ver consegue ser fiel à narrativa. “Como eu era antes de você” com certeza entrou na lista dos meus livros preferidos, isso se não for o preferido dos últimos 5 anos, pelo menos. Pra vocês terem noção, meu irmão entrou no meu quarto e me encontrou chorando no final do livro! Desde lá, não teve um dia sequer que deixei de ver os trailers; reli as minhas partes preferidas e sorri e chorei mais uma vez. Agora estou ansiosa pra caramba para esse filme… tenho a sensação de que vai ser aquele tipo que quando lançar em DVD eu vou comprar e assistir até decorar as falas (quem nunca?). Estou realmente esperando muito desse filme, que além de contar um uma fotografia e cenários maravilhosos, tem um elenco muito bom, sem falar do pouco que já deu pra perceber da trilha sonora. Vem, 16 de junho!

Não é o final que eu queria, mas a autora foi muito congruente com a escrita. Mais ainda do que uma história de casalzinho, é uma história sobre superação, ganhos e perdas, família, amizades, sobre como o amor pode brotar das situações mais inimagináveis, e mais do que tudo, a maior mensagem desse livro é um grande lembrete: VIVA INTENSAMENTE!

Depois do filme eu volto pra contar o que achei… Deixo os trailers abaixo e recomendo a leitura. Espero que você consiga se envolver com esse livro como eu me envolvi. (:

Como Eu Era Antes de Você – Trailer Oficial 1 (leg) [HD]

Como Eu Era Antes de Você – Trailer Oficial 2 (leg) [HD

      Por Vitória Regina ❤

 

É preciso ser forte para desistir…

Pequeno esclarecimento sobre esse post: este não é um texto de auto-ajuda, é apenas uma conversa; é um texto pessoal da categoria/série de posts “Textos de Caderno” e contém minha opinião. Espero que gostem (:

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Foto: André Felip


Oi, gente! Quem me conhece sabe que eu nem gosto de criar expectativas e nem sou de fazer metas de ano novo. Sobre essas coisas eu sei que já comentei aqui no blog e sei  também que já estamos no fim de fevereiro, mas é que a ideia desse texto tá na minha cabeça desde o fim de novembro do ano passado, mas toda vez que eu tentava desenvolver, sempre saía da mensagem que eu queria passar. Pegue uma xícara de café e vamos prozear um pouquinho…

De uns tempos pra cá, algumas coisas me abalaram – desde notícias trágicas familiares até mudanças rápidas e intensas – e me fizeram a chegar nessa “Vivi em evolução” de hoje… kkkk. Graças a Deus, estou vivendo um momento muito legal da minha vida, mas isso não quer dizer que esteja imune a problemas. Acontece que, especialmente em 2015, aconteceram fatos que me fizeram mudar, e só depois eu percebi. Não é aquela história de “ahhh, é uma nova Vitória”, mas sim eu de sempre com novas perspectivas. Desse tempo de mudança, o pensamento mais pertinente era “Por que sempre eu preciso me adequar?”

Lembra da história de meta de ano novo? Pois então. Não foi meta, mas a mudança foi acontecendo e eu me permiti mudar e decidi não mais me omitir pra muita coisa nessa vida. Se preciso for, até desistir. Sabe quando parece que você tá tentando agradar de todas as maneiras e nada dá certo? Eu sei. Eu desisti. É li-ber-ta-dor! Existem prisões na vida, que sinceramente, me perdoe se você discorda, mas eu hoje acredito que a gente só cai nelas porque quer. Se você percebe que aquela situação não vai dar certo, corte o mal pela raiz porque na frente será muito, mas muito mais difícil. Prisões do tipo: coisas que não te levam pra frente, vícios que só te atrapalham,  relacionamentos abusivos, namorado/namorada que te trata feito lixo, amizades interesseiras, pessoas que não têm consideração, gente que te exclui de momentos importantes, gente que não confia em você, que quer passar por cima de você, que não se alegra com suas vitórias, que acha que a vida é uma disputa… Aproveito pra mandar um recado para as pessoas que tentam disputar besteira comigo: “ahhh, eu sou melhor nisso” “ahh, eu sofro mais que você” …  vocês são tooooodos ganhadores, viu? Dispenso o troféu. Eu não nasci pra competir com ninguém a não ser eu mesma. Um grande beijo no seu coração e não me encha o saco.

Se eu pudesse estar com você que está lendo esse texto e vivendo algum tipo de prisão, eu gentilmente estenderia meus braços pra você, seguraria seus ombros, te daria um sacolejo e gritaria na sua cara: ACOOOORDA, CRIATURA! Nem Jesus, que é perfeito, agradou a todos, imagine nós! Um grande exemplo da minha mudança é também a coisa que me fez perceber tudo isso: meu cabelo. Meu cabelo cacheado, meio crespo, cheio de frizz. Eu alisei por uns 3 anos, porque  ODIAVA quando era criança, e há mais ou menos 2 anos, decidi parar de dar relaxamento.

Hoje eu consigo me sentir muito melhor assim, e me amo muito mais. Mas se eu fosse ligar pra tudo o que eu ouvi (e me deixou triste pra caramba, numvômentir…) durante a transição capilar, eu não teria conseguido. Coisas do tipo “seu cabelo tá muito feio assim, essa raiz tá alta demais” “vixe, e vai ficar de cabelo natural mesmo, é? tem certeza?” “Mas seu rosto combina tanto com o cabelo liso” “cabelo cacheado é muito difícil de domar(por acaso meu cabelo é algum animal selvagem??!). E recentemente, já com o cabelo natural, ouvi: “você não tem medo de pegar piolho nesse cabelo tão cheio não?”   :/   

 Muitas vezes, seu maior ombro amigo vai ter que ser você mesmo. E te digo, se seus “””amigos””” derem esse tipo de apoio na sua vida, o ditado que diz antes só do que mal acompanhado é bem certo.  Essa coisa do cabelo foi a maior, porque eu me libertei dos “padrões de beleza”, mas minha necessidade de me impor e parar de me omitir apareceu em muitas situações simples. Às vezes eu tava numa roda de conversa com colegas e tinha vergonha de expressar minha opinião, fazendo parecer que eu concordava com tudo que era falado, e quando falava era 99% entendida como grossa. Não, você não precisa concordar com tudo que o outro diz. Você precisa respeitar o que o outro diz. Com respeito se consegue as coisas na vida, minha gente. Sem invadir o espaço do outro, você consegue o seu.

Hoje, com muito respeito, eu não deixo mais de discordar nas rodas de conversa e também me sinto muito melhor. Pra vocês terem noção, eu tinha vergonha de rezar antes de comer dependendo das pessoas que estivessem. Pra quem não sabe, eu sou católica e tenho muitos colegas de outras religiões (nunca tive problema com isso), e eu tinha a mentalidade fechada de que se eu estivesse numa mesa com meus amigos evangélicos e fizesse o sinal da cruz antes de comer, eu estaria sendo desrespeitosa ou tinha medo deles entenderem como uma provocação (Me dêem licença que eu vou ali dar um tapa na cara de Vitória de antes). Isso é absurdo. Eles me conheceram assim, eles também precisam me acolher assim.

Essa história de cabelo fica pra outra conversa, mas o que eu quis dizer foi que se eu tive coragem de assumir meu cabelo natural, que eu odiava (incomodando muita gente), porque bulhufas eu ia ter que ser a polida do grupo, a que sempre tem que aceitar o que o outro diz? Eu não gosto de estar em nada que me sufoque. Nada, nem ninguém. Talvez por isso eu goste tanto de borboletas. Como diria uma amiga minha: Nosso Senhor me fez LIVRE! Se eu pudesse te dar um conselho, este seria: dê valor aos seus amigos  de verdade, entenda a necessidade deles, tenha consciência das suas fragilidades, mas entenda também que você tem um valor. Desista do que te faz mal.

Por fim, deixo pra vocês uma reflexão que está na 2ª carta de São Paulo aos Coríntios, onde “Paulo fala de uma misteriosa aflição, um espinho cravado na carne (2Cor 12,7), e do intenso desejo de se libertar dele. Mas, as três vezes em que pediu a Deus que o libertasse dele, Deus lhe fez ver a conveniência de não o fazer”. (Bíblia católica do jovem, Ed. Ave-Maria)

“Três vezes roguei ao Senhor que o apartasse de mim. Mas Ele me disse: ‘Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força’. Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo. Eis por que sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então é que sou forte.” (2Cor 12, 8-10)

por Vitória Regina


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